Publicado por: biancarabelo | 22 de Junho de 2010

Doação de órgãos

Saudações! Tudo bem com vocês? Comigo está tudo bem, estou de férias da faculdade. Hoje eu irei falar sobre doação de órgãos, é um dos meus temas prediletos! No ano de 2008, eu e minha turma de Enfermagem participamos de um Fórum que teve na PUC, e o tema abordado por nós foi justamente esse. É muito interessante, muitas informações! Então eu preferi fazer esse post em forma de perguntas e respostas, pra ficar mais dinâmico. Nessa nossa apresentação no fórum, eu fiz um vídeo que foi exibido, estou postando pra vocês verem como ficou bacana, na verdade a gente abordava todos as aspectos do transplante… éticos, morais, e etc!

O que é transplante?

É um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão (coração, pulmão, rim, pâncreas, fígado) ou tecido (medula óssea, ossos, córneas…) de uma pessoa doente (RECEPTOR) por outro órgão ou tecido normal de um DOADOR, vivo ou morto. O transplante é um tratamento que pode salvar e/ou melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas.

Quem pode e quem não pode ser doador?

A doação pressupõe critérios mínimos de seleção. Idade, o diagnóstico que levou à morte clínica e tipo sangüíneo são itens estudados do provável doador para saber se há receptor compatível. Não existe restrição absoluta à doação de órgãos a não ser para aidéticos e pessoas com doenças infecciosas ativas. Em geral, fumantes não são doadores de pulmão.

Por que existe poucos doadores? Temos medo de doar?

É uma das razões, porque temos medo da morte e não queremos nos preocupar com este tema em vida. É muito mais cômodo não pensarmos sobre isso, seja porque “não acontece comigo ou com a minha família” ou “isso só acontece com os outros e eles que decidam”.

Quero ser doador. O que devo fazer?

Todos nós somos doadores, desde que a nossa família autorize. Portanto, a atitude mais importante é comunicar para a sua família o seu desejo de ser doador.

Quero ser doador. A minha religião permite?

Todas as religiões têm em comum os princípios da solidariedade e do amor ao próximo que caracterizam o ato de doar. Todas as religiões deixam a critério dos seus seguidores a decisão de serem ou não doadores de órgãos. Veja a posição de algumas:

  • Judaica – Nada mais judaico do que salvar uma vida

  • Anglicana – Doação de órgãos, um ato de amor a serviço da Vida

  • Católica Romana

  • Umbanda e cultos Afro-brasileiros

  • Doutrina Espírita

Quando podemos doar?

A doação de órgãos como rim, parte do fígado e da medula óssea pode ser feita em vida. Em geral, nos tornamos doadores em situação de morte encefálica e quando a nossa família autoriza a retirada dos órgãos.

O que é morte encefálica?

Morte encefálica é a parada definitiva e irreversível do encéfalo (cérebro e tronco cerebral), provocando em poucos minutos a falência de todo o organismo. É a morte propriamente dita. No diagnóstico de morte encefálica, primeiro são feitos testes neurológicos clínicos, os quais são repetidos seis horas após. Depois dessas avaliações, é realizado um exame complementar (um eletroencefalograma ou uma arteriografia).

Uma pessoa em coma também pode ser doadora?

Não. Coma é um estado reversível. Morte encefálica, como o próprio nome sugere, não. Uma pessoa somente torna-se potencial doadora após o correto diagnóstico de morte encefálica e da autorização dos familiares para a retirada dos órgãos.

Como o corpo é mantido após a morte encefálica?

O coração bate à custa de medicamentos, o pulmão funciona com a ajuda de aparelhos e o corpo continua sendo alimentado por via endovenosa.

Como proceder para doar?

Um familiar pode manifestar o desejo de doar os órgãos. A decisão pode ser dada aos médicos, ao hospital ou à Central de Transplante mais próxima.

Quem paga os procedimentos de doação?

A família não paga pelos procedimentos de manutenção do potencial doador, nem pela retirada dos órgãos. Existe cobertura do SUS (Sistema Único de Saúde) para isso.

O que acontece depois de autorizada a doação?

Desde que haja receptores compatíveis, a retirada dos órgãos é realizada por várias equipes de cirurgiões, cada qual especializada em um determinado órgão. O corpo é liberado após, no máximo, 48 horas.

Quem recebe os órgãos doados?

Testes laboratoriais confirmam a compatibilidade entre doador e receptores. Após os exames, a triagem é feita com base em critérios como tempo de espera e urgência do procedimento.

Quantas partes do corpo podem ser aproveitadas para transplante?

O mais freqüente: 2 rins, 2 pulmões, coração, fígado e pâncreas, 2 córneas, 3 válvulas cardíacas, ossos do ouvido interno, cartilagem costal, crista ilíaca, cabeça do fêmur, tendão da patela, ossos longos, fascia lata, veia safena, pele. Mais recentemente foram realizados transplantes de uma mão completa. Um único doador tem a chance de salvar, ou melhorar a qualidade de vida, de pelo menos 25 pessoas.

Podemos escolher o receptor?

Nem o doador, nem a família podem escolher o receptor. Este será sempre indicado pela Central de Transplantes. A não ser no caso de doação em vida.

Quem são beneficiados com os transplantes?

Milhares de pessoas, inclusive crianças, todos os anos, contraem doenças cujo único tratamento é um transplante. A espera por um doador, que muitas vezes não aparece, é dramática e adoece também um círculo grande de pessoas da família e de amigos.

Existe algum conflito de interesse entre os atos de salvar a vida de um potencial doador e o da retirada dos órgãos para transplante?

Absolutamente não. A retirada dos órgãos para transplante somente é considerada depois da morte, quando todos os esforços para salvar a vida de uma pessoa tenham sido realizados.

Qual a chance de sucesso de um transplante?

É alta. Mas muita coisa depende de particularidades pessoais, o que impede uma resposta mais precisa. Existe no Brasil pessoas que fizeram transplante de rim, por exemplo, há mais de 30 anos, tiveram filhos e levam uma vida normal.

Quais os riscos e até que ponto um transplante interfere na vida de uma pessoa?

Além dos riscos inerentes a uma cirurgia de grande porte, os principais problemas são infecção e rejeição. Para controlar esses efeitos o transplantado usa medicamentos pelo resto da vida. Transplante não é cura, mas um tratamento que pode prolongar a vida com muito melhor qualidade.

Quanto custa um transplante e quem paga?

Cerca de 86% das cirurgias são financiadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A maioria dos planos privados de saúde não cobre este tipo de tratamento, cujo custo pode variar entre menos de mil reais (transplante de córnea) a quase 60 mil reais (transplante de medula óssea). Os valores previstos na Tabela do SUS em 2008 são os seguintes:

Córneas 711,46
Rim doador cadáver 19.272,15
Rim doador vivo 14.828,17
Fígado doador cadaver 52.040,00
Fígado doador vivo 52.070,92
Coração 22.242,49
Pulmão 37.070,92
Pâncreas Isolado 14.828,18
Pâncreas + Rim 26.020,06
Medula Óssea 57.997,00

Eis o vídeo feito por mim para ser exibido no fórum:

Bom, pessoal! Por enquanto é isso, espero mesmo que tenham gostado do post e do vídeo, quem quiser saber mais informações eu indico um site fabuloso: http://www.adote.org.br/index.php Foi através dele que eu tirei essas perguntas e respostas! Fiquem com Deus e tenham um bom dia! Bianca Rabelo.


Responses

  1. Nossa Bianca! Esse tema realmente mexe muito comigo. Sei exatamente o que é estar na espera por um órgão.
    Para os amigos aqui do blog que não sabem, meu marido espera por um rim há 19 anos e a espera é por demais angustiante. Principalmente quando nesse meio tempo tem-se que enfrentar as complicações da doença.
    É claro que com o passar do tempo tenta-se levar a vida normalmente, mas muitas vezes não tem como evitar a expectativa quando o telefone toca.
    Claro que não deixamos de pensar no outro lado da história. Famílias perderão seus entes queridos pra que outras pessoas possam continuar vivendo. Mas acreditamos que as famílias que num momento tão difícil conseguem transcender a dor e doar, tem seu sofrimento amenizado por saber que, apesar de não ter sido possível salvar seu ente querido, salvou alguém.
    Isso sim, é um ato de extremo amor ao próximo, mesmo que você não sabe quem ele é.
    Parabéns Bianca, por ter abordado aqui um tema tão importante.

    • Oi Janine, muito obrigada pela sua contribuição no blog! Quando a gente fez esse trabalho no Fórum de Enfermagem, eu me lembro que fomos no Joao XXIII e vimos o lado das duas famílias, e eu posso dizer que eu respeito os dois lados! Sou a favor da doação de órgãos, desde que ela seja consentida pelo próprio doador antes de sua morte. Por isso que eu sempre digo: aos que forem doar, avise a sua família! Assim como o marido da Janine precisa de um órgão, alguem proximo a você pode também precisar de um! Um grande beijo a todos!


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