Publicado por: biancarabelo | 9 de Abril de 2010

Obesidade Infantil

Olá! Estava vendo hoje o site do Hospital Infantil São Camilo e li uma reportagem muito bacana sobre obesidade infantil, escrito pela endocrinologista Dr. Sarah Cunha, e venho pra dividir com vocês, muito legal, leiam que vão gostar! Grande beijo!

Obesidade Infantil

Dra. Sarah Baccarini Cunha
Endocrinologista Pediátrica do Hospital São Camilo

A obesidade está sendo considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma epidemia global, sendo um dos problemas mais graves de saúde pública tanto na vida adulta quanto na infância e na adolescência. Crianças obesas freqüentemente se tornam adolescentes e adultos obesos com sérios riscos para a saúde.

A prevenção da obesidade infantil se inicia no pré-natal. A nutrição materna, as condições de nutrição intra-uterina e o peso de nascimento têm sido associados ao acúmulo de tecido gorduroso na infância, principalmente se houver oferta calórica excessiva, como o aleitamento artificial inadequado. Promover um ambiente saudável, tanto domiciliar como escolar, é de grande importância para prevenção da obesidade infantil.

A maioria das pessoas acredita que crianças obesas ingerem grande quantidade de comida. Esta afirmativa nem sempre é verdadeira, pois, em geral, as crianças obesas usam alimentos de alto valor calórico que, mesmo ingeridos em quantidades não tão grandes, podem causar o aumento de peso (hambúrguer, misto-quente, cheeseburguer, batatas fritas, etc).

As crianças costumam também imitar os pais em tudo que eles fazem, assim sendo se os pais tem hábitos alimentares errados, acabam induzindo seus filhos a se alimentarem do mesmo jeito. As lanchonetes e cantinas escolares são um exemplo da grande oferta de alimentos de alto poder calórico e baixo valor nutritivo. Além disso, existem muitas máquinas de refrigerantes, doces e frituras em espaços públicos, mesmo em escolas com diretrizes nutricionais estabelecidas. Muitas escolas públicas brasileiras têm adotado, há anos, na sua merenda, cardápios com alimentos de alto conteúdo calórico, devido a grande quantidade de crianças carentes. No entanto, nota-se que essa medida tem contribuído consideravelmente para o aumento da prevalência da obesidade infantil, já que expõe as demais crianças e adolescentes a um conteúdo excessivo de calorias.

Propagandas de restaurantes de fast food, refrigerantes e alimentos industrializados, em programas infantis de televisão, telenovelas e em até revistas infanto-juvenis são causas diretas do aumento da obesidade na infância e adolescência

O que é a Obesidade Infantil?

A obesidade pode ser conceituada como um acúmulo corporal de tecido adiposo, geralmente devido à ingestão calórica excessiva, associada ao gasto insuficiente de energia. A obesidade infantil resulta da influência de fatores ambientais e comportamentais em indivíduos geneticamente susceptíveis. Os fatores genéticos são considerados raros como causa direta da obesidade infantil. Quando presentes, geralmente há o desenvolvimento de formas graves e precoces da doença. Ainda que raras, as causas endócrinas devem ser pesquisadas quando, além de obesidade, houver sinais clínicos sugestivos de algum distúrbio hormonal.

Alguns fatores estão relacionados à obesidade infantil nos primeiros anos de vida: obesidade dos pais; ganho excessivo de gordura em idades muito precoces; hábito de assistir à televisão por mais de 8 horas por semana; ganho de peso excessivo no 1º ano de vida; peso ao nascimento; sono noturno menor que 10 horas. Além desses fatores, evidências apontam como preditores de obesidade infantil os hábitos dos pais, como tabagismo na gravidez, a educação dada aos filhos e a alimentação fornecida aos filhos nos primeiros meses de vida. O leite materno tem sido considerado como protetor contra o sobrepeso futuro.

A vida sedentária facilitada pelos avanços tecnológicos (computadores, televisão, videogames, etc.), faz com que as crianças não precisem se esforçar fisicamente a nada. Hoje em dia, devido a violência urbana a pedido de seus pais, as crianças ficam dentro de casa com atividades passivas, sendo desestimuladas atividades físicas como correr, jogar bola, brincar de pique. Assim, as crianas levam horas paradas em frente a uma tv ou outro equipamento eletrônico e quase sempre com um pacote de biscoito ou um sanduíche regados a refrigerantes. Isto é um fator preocupante para o desenvolvimento da obesidade.

Não são apenas os adultos que sofrem de ansiedade provocados pelo stress do dia a dia. Os jovens também são alvos deste sintoma, causados, por exemplo, por preocupações em semanas de prova na escola ou pela tensão do vestibular, entre outros. A ansiedade os faz comer mais. Psiquiatras afirmam que por trás de um obeso sempre poderá existir um problema psicológico, agravando-se devido a nossa cultura onde a sociedade exclui os gordinhos de várias brincadeiras devido a sua situação. Isso só leva a criança ou adolescente a piorar.

Consequências da Obesidade Infantil

A obesidade na infância pode levar a danos imediatos à saúde, como alterações de colesterol e triglicérides, hipertensão arterial, acúmulo de gordura no fígado, problemas ortopédicos, baixa auto-estima, intolerância à glicose ou até o início precoce do diabetes mellitus tipo 2.

Adolescentes com sobrepeso têm 50-70% de chance de se tornarem adultos com sobrepeso ou obesidade. . Além disso, a maior prevalência de obesidade nas últimas décadas tem contribuído muito para o aumento dos custos relativos à saúde (pública e privada). Um estudo americano, incluindo crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, mostrou que os custos hospitalares referentes a doenças relacionadas à obesidade aumentaram cerca de 3 vezes, em 10 anos.

Tratamento

O tratamento da obesidade infantil visa, sobretudo, à diminuição das doenças associadas, em curto e longo prazo. As crianças obesas têm maior vulnerabilidade às complicações decorrentes do excesso de tecido adiposo, justificando ações preventivas e terapêuticas.

O tratamento baseia-se inicialmente em orientações alimentares e aumento da atividade física. Abordagens terapêuticas mais agressivas devem ser realizadas, sobretudo, nos pacientes com obesidade grave, ou naqueles que apresentam sobrepeso associado a outras doenças.

A abordagem da obesidade em crianças e adolescentes geralmente necessita da participação de uma equipe interdisciplinar. Tais equipes devem incluir psicoterapeuta, nutricionista, endocrinologista e professor de educação física. O objetivo do trabalho em equipe é propiciar uma abordagem mais ampla do paciente, procurando envolvê-lo, bem como seus familiares, no processo terapêutico.

O objetivo inicial do tratamento é restaurar o balanço energético, equilibrando a relação ganho/gasto calórico. Nos casos em que é clara a ingestão calórica excessiva, a restrição alimentar deverá ser aplicada, associada a um maior gasto energético, ou seja, aumento da atividade física.

Quanto à abordagem nutricional, medidas simples podem ser muito eficazes para aqueles pacientes com erros alimentares graves. O aumento do consumo de frutas e vegetais, a diminuição das porções servidas, o intervalo regular entre as refeições, evitando longos períodos sem se alimentar, são exemplos de orientações que devem ser feitas inicialmente.

Restrições calóricas leves a moderadas são geralmente seguras e podem ser eficientes quando as crianças obesas e seus familiares estão suficientemente motivados para manter por tempo prolongado as mudanças de estilo de vida adotadas inicialmente. Algumas crianças, no entanto, extremamente obesas ou com complicações secundárias, necessitam de dietas mais restritivas.
A diminuição da ingestão de refrigerantes, suco e líquidos ricos em açúcar e a ingestão de fibras solúveis e insolúveis deve ser estimulada.

Como parte do tratamento das crianças e adolescentes obesos, recomenda-se o estímulo à atividade física. As atividades devem ser divertidas, adequadas à idade e direcionadas ao interesse e condições do paciente. Deve-se estimular exercícios preferencialmente aeróbicos e que envolvam grandes grupos musculares, aumentando assim o gasto energético. Uma das grandes dificuldades para convencer alguns obesos a praticarem exercícios físicos é o seu receio de exposição pública. As comunidades e escolas deveriam promover programas de integração social dessas crianças, criando um meio saudável de convivência e atividade física.

Quando as mudanças de estilo de vida (sob supervisão médica) falham na redução de peso, uma reavaliação dos riscos e das doenças associadas deverá ser feita. Tratamentos mais agressivos, com medicamentos, poderão ser instituídos, desde que haja critérios clínico laboratoriais para sua indicação.

Aqui vão algumas dicas recomendadas por médicos e nutricionistas para que possamos prevenir nossos filhos contra esse mal:

• Oferecer uma alimentação balanceada, rica em frutas, legumes e verduras;
• Respeitar os horários das refeições e não beliscar guloseimas entre um intervalo e outro; Evitar alimentos gordurosos, como doces, frituras e refrigerantes;
• Induzir a pratica de atividades físicas, sejam esportes no colégio ou clube, desde que seja orientado por um profissional.
• Oferecer bastante água, pelo menos 2 litros por dia. A água é importantíssima no bom desempenho das funções do organismo. Principalmente para quem pratica atividades físicas, pois mantém o corpo sempre hidratado.



Responses

  1. NOS QUE FAZEMOS O PSF EM COMUNIDADES CARENTES TEMOS NOS DEPARADO MUITO COM A OBESSIDADE INFANTIL PROBLEMA DIFICIO DE TRATAR QUE LEVA NOSSOS JOVENS A TER SERIOS PROBLEMAS DE SAUDE NO FUTURO MUITO PREOCUPANTE

  2. ESTOU COM ESTA DIFICULDADE EM CASA, MEU FILHO ESTA ACIMA DO PESO E SEI QUE A LUTA VAI SER GRANDE, POREM TENHO MUITA FE QUE VOU CONSEGUIR .ALIAS SE ALGUEM CONHECER UM GRUPO DE AJUDA PARA CRIANÇAS , FAVOR ENCAMINHAR CONTATO

    • Olá Márcia, boa noite!
      Primeiramente gostaria de agradecer pelo comentário no blog, a participação dos usuários é muito importante pra mim!
      Respondendo sua pergunta sobre a obesidade, sei como te ajudar sim. Você mora no Brasil, Márcia? Se sim, você conhece aonde fica o centro de saúde (popularmente conhecido como posto de saúde) perto da sua casa? Lá, eles fazem sempre oficinas de reeducação, tanto infantil quanto adulto. Você só não pode pedir ajuda como DEVE! O centro de saúde é um local no qual você tem que ir não só quando precisa de ajuda médica, mas também para oficinas educativas e acompanhamento.
      Me informe a sua cidade que poderei te informar melhor de outras possibiidades de atender a seu pedido, e você está certíssima em se preocupar, pois a educação alimentar na infância é fundamental para o bem-estar do indivíduo adulto.
      Aguardo seu retorno para maiores esclarecimentos!
      Boa sorte pra você e parabéns pela iniciativa!
      Abraços!
      Bianca Rabelo


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